2011-03-28

Domingo, 27 de Março, na Igreja Baptista de Belém

Vivemos num mundo assoberbado por palavras, as nossas e as dos outros… e no entanto, quando se trata de falar com quem realmente interessa, o nosso Deus, hesitamos, confundimo-nos e, aquele meio privilegiado que Deus coloca ao nosso dispor, a Oração (o falar com Ele), torna-se muitas vezes um monólogo.
Ontem, no nosso Culto, refletimos sobre a Oração, tendo por base o texto bíblico de 1ª Timóteo 2:1-8. Mais do que entender que existem modos diferentes de orar, com intencionalidade diferente, tentamos compreender igualmente que é necessário termos calma e confiar em Deus. Ou como diz o salmista:

“Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra….” Salmo 46:10 (versão Almeida Revista e Atualizada)
 “Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa, porque dele vem a minha esperança.” Salmo 62:5 (versão Almeida Revista e Atualizada)

Observâncias...

Um querido irmão em Cristo, optou por viver a sua Fé igualmente no cumprimento das ordenanças do Antigo Testamento, nomeadamente no que respeita à guarda do dia do Sábado. Este é um tema complicado, creio que não existe uma resposta unívoca, mas uma coisa sei: - o mandamento original foi dado por Deus ao seu povo de Israel:
[15] Seis dias se trabalhará, porém o sétimo dia é o sábado do repouso solene, santo ao SENHOR; qualquer que no dia do sábado fizer alguma obra morrerá.  [16]  Pelo que os filhos de Israel guardarão o sábado, celebrando-o por aliança perpétua nas suas gerações.  [17]  Entre mim e os filhos de Israel é sinal para sempre; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, e, ao sétimo dia, descansou, e tomou alento. (Êxodo 31:15-17, versão Almeida Revista e Atualizada).
Estas palavras deviam colocar tudo em perspectiva para nós, que não sendo Israel segundo o sangue, somo-lo segundo o Espírito que opera em nós o Novo Nascimento.

E não é que a Palavra de Deus não se deixa "complicar"?!?

Nos últimos tempos, tenho-me questionado sobre certas observâncias dos momentos fundacionais da nossa fé cristã. Numa dessas alturas, a Palavra falou, pela pena do autor da Carta aos Colossenses e todas as questiúnculas dogmático-eclesiais deixaram de ter importância...

[6] Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele,  [7] Arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela abundando em acção de graças.  [8] Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo;  [9] Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade;  [10] E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade;  [11] No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo;  [12] Sepultados com ele no baptismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos.  [13] E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas,  [14] Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.  [15] E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.  [16] Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados,  [17] Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.  [18] Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão,  [19] E não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus.  [20] Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como:  [21] Não toques, não proves, não manuseies?  [22] As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens;  [23] As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne.
(Carta de Paulo aos Colossenses 2:6-23 Almeida Corrigida e Fiel)

Domingo, 20 de Março, na Igreja Baptista de Belém

Mais tarde, no mesmo dia, o tema abordado na Igreja Baptista de Belém foi "Quem é o Espírito de Deus?". Aí meditamos no texto que se encontra no Evangelho de João 14:15-21 e definimos, contrastando-o com a religiosidade que impera na sociedade à nossa volta, quem é o Espírito Santo de Deus, Consolador e orientador na Verdade.

Domingo, 20 de Março, na Igreja Batista da Ribeira Grande

Nesse Domingo, no culto na Ribeira Grande, falamos sobre o texto de Isaías 24:17-23 sob o tema "Quando Deus chama a nossa atenção". Refletimos no modo como se pode "ler" a realidade que nos rodeia à luz da Palavra. Perante as catástrofes ambientais, económicas e sociais que nos assaltam de todos os lados, tentamos entender como Deus está avisando a humanidade das consequências de uma vivência sem limites, indiferente aos desejos do Criador.
Pudemos igualmente meditar em algumas chamadas de atenção que Deus proferiu no passado e nas que ainda nos esperam no cumprir do plano eterno do nosso Deus.

Martinho Lutero e as "Resolutiones Disputanionum de Indulgientiarum Virtute”

Em 31 de Outubro de 1517, um obscuro monge da Ordem de Santo Agostinho, pregou algumas folhas numa das portas da Igreja do Castelo em Wittemberg.
Nelas, Martinho Lutero, o monge em questão, pretendia colocar à discussão pública as suas reflexões sobre uma realidade do seu tempo: - a da venda de indulgências papais aos cristãos alemães, de que o enviado papal Tetzel era o principal arauto e promotor.
As "Resolutiones Disputationum de Indulgientiarum Virtute" como se intitulavam originalmente as que ficaram mais tarde conhecidas por "95 Teses sobre as Indulgências", foram um dos principais rastilhos que ateou o grande fogo da Reforma da Igreja Cristã do Ocidente, nos séculos XVI e XVII. Sendo um texto datado no tempo, ele continua no entanto, perfeitamente actual, no que ao anúncio evangélico diz respeito: - um anúncio de Graça, sem preço e completamente devedor ao Amor e Misericórdia de Deus, merecendo também por isso, uma (re) leitura actual e contextualizada num mundo em que (aparentemente) tudo se compra e tudo se vende.

95 Teses sobre as Virtudes das Indulgências

Por amor à verdade e no empenho de elucidá-la, discutir-se-á o seguinte em Wittenberg, sob a presidência do reverendo padre Martinho Lutero, mestre de Artes e de Santa Teologia e Leitor no Ordinário desta última, naquela localidade. Por esta razão, ele solicita que os que não puderem estar presentes e debater connosco oralmente o façam por escrito, mesmo que ausentes. Em nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

1. Ao dizer: "Arrependei-vos..., etc." [poenitentian agite], [Mateus 4:17], o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse uma de penitência.
2. Esta penitência não pode ser entendida como penitência sacramental (isto é, da confissão e satisfação celebrada pelo ministério dos sacerdotes).
3. No entanto, ela não se refere apenas a uma penitência interior; sim, a penitência interior seria nula, se, externamente, não produzisse toda a sorte de mortificação da carne.
4. Por consequência, a pena perdura enquanto persiste o ódio de si mesmo (isto é a verdadeira penitência interior), ou seja, até à entrada do reino dos céus.
5. O papa não quer nem pode dispensar de quaisquer penas senão daquelas que impôs por decisão própria ou dos cânones.
6. O papa não pode remir culpa alguma senão declarando e confirmando que ela foi perdoada por Deus, ou, sem dúvida, remindo-a nos casos reservados para si; se estes forem desprezados, a culpa permanecerá por inteiro.
7. Deus não perdoa a culpa de qualquer pessoa sem, ao mesmo tempo, sujeitá-la, em tudo humilhada, ao sacerdote, seu vigário.
8. Os cânones penitenciais são impostos apenas aos vivos; segundo os mesmos cânones, nada deve ser imposto aos moribundos.
9. Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do papa quando este, em seus decretos, sempre exclui a circunstância da morte e da necessidade.
10. Agem mal e sem conhecimento de causa aqueles sacerdotes que reservam aos moribundos penitências canónicas para o purgatório.
11. Essa erva daninha de transformar a pena canónica em pena do purgatório parece ter sido semeada enquanto os bispos certamente dormiam.
12. Antigamente impunham-se as penas canónicas não depois, mas antes da absolvição, como verificação da verdadeira contrição.
13. Através da morte, os moribundos pagam tudo e já estão mortos para as leis canónicas, tendo, por direito, isenção das mesmas.
14. Saúde ou amor imperfeito do moribundo necessariamente traz consigo grande temor, e tanto mais, quanto menor for o amor.
15. Este temor e horror por si sós já bastam (para não falar de outras coisas) para produzir a pena do purgatório, uma vez que estão próximos do horror do desespero.
16. O Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma forma que o desespero, o semidesespero e a segurança.
17. Parece desnecessário, para as almas no purgatório, que o horror diminua na medida em que cresce o amor.
18. Parece não ter sido provado, nem por meio de argumentos racionais nem da Escritura, que elas se encontram fora do estado de mérito ou de crescimento no amor.
19. Também parece não ter sido provado que as almas no purgatório estejam certas da sua bem-aventurança, ao menos não todas, mesmo que nós, de nossa parte, tenhamos plena certeza.
20. Portanto, sob remissão plena de todas as penas, o papa não entende simplesmente todas, mas somente aquelas que ele mesmo impôs.
21. Erram, portanto, os pregadores de indulgências que afirmam que a pessoa é absolvida de toda a pena e salva pelas indulgências do papa.
22. Com efeito, ele não dispensa as almas no purgatório de uma única pena que, segundo os cânones, elas deveriam ter pago nesta vida.
23. Se é que se pode dar algum perdão de todas as penas a alguém, ele, certamente, só é dado aos mais perfeitos, isto é, pouquíssimos.
24. Por isso, a maior parte do povo está sendo necessariamente ludibriada por essa magnífica e indistinta promessa de absolvição da pena.
25. O mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório de modo geral, qualquer bispo e cura tem em sua diocese e paróquia em particular.
26. O papa faz muito bem ao dar remissão às almas não pelo poder das chaves (que ele não tem), mas por meio de intercessão.
27. Pregam doutrina humana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada na caixa, a alma sairá voando [do purgatório para o céu].
28. Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa, podem aumentar o lucro e a cobiça; a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus.
29. E quem é que sabe se todas as almas no purgatório querem ser resgatadas? Dizem que este não foi o caso com S. Severino e S. Pascoal.
30. Ninguém tem certeza da veracidade de sua contrição, muito menos de haver conseguido plena remissão.
31. Tão raro como quem é penitente de verdade é quem adquire autenticamente as indulgências, ou seja, é raríssimo.
32. Serão condenados eternamente, juntamente com seus mestres, aqueles que se julgam seguros de sua salvação através de carta de indulgência.
33. Deve-se ter muita cautela com aqueles que dizem serem as indulgências do papa aquela inestimável dádiva de Deus através da qual a pessoa é reconciliada com Deus.
34. Pois aquelas graças das indulgências referem-se somente às penas de satisfação sacramental, determinadas por seres humanos.
35. Não pregam cristãmente os que ensinam não ser necessária a contrição àqueles que querem resgatar ou adquirir breves confessionais.
36. Qualquer cristão verdadeiramente arrependido tem direito à remissão plena da pena e da culpa, mesmo sem carta de indulgência.
37. Qualquer cristão verdadeiro, seja vivo, seja morto, tem participação em todos os bens de Cristo e da Igreja, por dádiva de Deus, mesmo sem carta de indulgência.
38. Mesmo assim, a remissão e participação do papa de forma alguma devem ser desprezadas, porque (como disse) constituem declaração do perdão divino.
39. Até mesmo para os mais doutos teólogos é dificílimo exaltar perante o povo ao mesmo tempo, a liberdade das indulgências e a verdadeira contrição.
40. A verdadeira contrição procura e ama as penas, ao passo que a abundância das indulgências as afrouxa e faz odiá-las, pelo menos dando ocasião para tanto.
41. Deve-se pregar com muita cautela sobre as indulgências apostólicas, para que o povo não as julgue erroneamente como preferíveis às demais boas obras do amor.
42. Deve-se ensinar aos cristãos que não é pensamento do papa que a compra de indulgências possa, de alguma forma, ser comparada com as obras de misericórdia.
43. Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou emprestando ao necessitado, procedem melhor do que se comprassem indulgências.
44. Ocorre que através da obra de amor cresce o amor e a pessoa se torna melhor, ao passo que com as indulgências ela não se torna melhor, mas apenas mais livre da pena.
45. Deve-se ensinar aos cristãos que quem vê um carente e o negligencia para gastar com indulgências obtém para si não as indulgências do papa, mas a ira de Deus.
46. Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem bens em abundância, devem conservar o que é necessário para sua casa e de forma alguma desperdiçar dinheiro com indulgências.
47. Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de indulgências é livre e não constitui obrigação.
48. Deve-se ensinar aos cristãos que, ao conceder indulgências, o papa, necessita e da mesma forma mais deseja uma oração devota a seu favor do que o dinheiro que se está pronto a pagar.
49. Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências do papa são úteis se não depositam sua confiança nelas, porém, extremamente prejudiciais se perdem o temor de Deus por causa delas.
50. Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exacções dos pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos das suas ovelhas.
51. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto - como é seu dever - a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de indulgências extraem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse necessário vender a Basílica de S. Pedro.
52. Vã é a confiança na salvação por meio de cartas de indulgência, mesmo que o comissário ou até mesmo o próprio papa desse a sua alma como garantia pelas mesmas.
53. São inimigos de Cristo e do papa aqueles que, por causa da pregação de indulgências, fazem calar por inteiro a palavra de Deus nas demais igrejas.
54. Ofende-se a Palavra de Deus quando, em um mesmo sermão, se dedica tanto ou mais tempo às indulgências do que a ela.
55. A atitude do papa é necessariamente esta: se as indulgências (que são o menos importante) são celebradas com um toque de sino, uma procissão e uma cerimónia, o Evangelho (que é o mais importante) deve ser anunciado com uma centena de sinos, procissões e cerimónias.
56. Os tesouros da Igreja, dos quais o papa concede as indulgências, não são suficientemente mencionados nem conhecidos entre o povo de Cristo.
57. É evidente que eles, certamente, não são de natureza temporal, visto que muitos pregadores não os distribuem tão facilmente, mas apenas os ajuntam.
58. Eles tampouco são os méritos de Cristo e dos santos, pois estes sempre operam, sem o papa, a graça do ser humano interior e a Cruz, a morte e o inferno do ser humano exterior.
59. S. Lourenço disse que os pobres da Igreja são os tesouros da mesma, empregando, no entanto, a palavra como era usada em sua época.
60. É sem temeridade que dizemos que as chaves da Igreja, que lhe foram proporcionadas pelo mérito de Cristo, constituem este tesouro.
61. Pois está claro que, para a remissão das penas e dos casos a ele reservados, o poder do papa por si só é suficiente.
62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.
63. Este tesouro, entretanto, é o mais odiado, e com razão, porque faz com que os primeiros sejam os últimos.
64. Em contrapartida, o tesouro das indulgências é o mais benquisto, e com razão, pois faz dos últimos os primeiros.
65. Por esta razão, os tesouros do Evangelho são as redes com que outrora se pescavam homens possuidores de riquezas.
66. Os tesouros das indulgências, por sua vez, são as redes com que hoje se pesca a riqueza dos homens.
67. As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como as maiores graças realmente podem ser entendidas como tal, na medida em que dão boa renda.
68. Entretanto, na verdade, elas são as graças mais ínfimas em comparação com a graça de Deus e a piedade na cruz.
69. Os bispos e curas têm a obrigação de admitir com toda a reverência os comissários de indulgências apostólicas.
70. Têm, porém, a obrigação ainda maior de observar com os dois olhos e atentar com ambos os ouvidos para que esses comissários não preguem os seus próprios sonhos em lugar do que lhes foi incumbido pelo papa.
71. Seja excomungado e maldito quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas.
72. Seja bendito, porém, quem ficar alerta contra a devassidão e licenciosidade das palavras de um pregador de indulgências.
73. Assim como o papa, com razão, fulmina aqueles que, de qualquer forma, procuram defraudar o comércio de indulgências,
74. muito mais deseja fulminar aqueles que, a pretexto das indulgências, procuram defraudar a santa caridade e verdade.
75. A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes ao ponto de poderem absolver um homem mesmo que tivesse cometido um pecado impossível e violentado a mãe de Deus, caso isso fosse possível, é loucura.
76. Afirmamos, pelo contrário, que as indulgências papais não podem anular sequer o menor dos pecados veniais no que se refere à sua culpa.
77. A afirmação de que nem mesmo S. Pedro, caso fosse o papa actualmente, poderia conceder maiores graças é blasfémia contra São Pedro e o papa.
78. Afirmamos, ao contrário, que também este, assim como qualquer papa, tem graças maiores, quais sejam, o Evangelho, os poderes, os dons de curar, etc., como está escrito em 1ª Coríntios 12.
79. É blasfémia dizer que a cruz com as armas do papa, insignemente erguida, equivale à cruz de Cristo.
80. Terão que prestar contas os bispos, curas e teólogos que permitem que semelhantes conversas sejam difundidas entre o povo.
81. Essa licenciosa pregação das indulgências faz com que não seja fácil, nem para os homens doutos, defender a dignidade do papa contra calúnias ou perguntas, sem dúvida argutas, dos leigos.
82. Por exemplo: por que o papa não evacua o purgatório por causa do santíssimo amor e da extrema necessidade das almas - o que seria a mais justa de todas as causas -, se redime um número infinito de almas por causa do funestíssimo dinheiro para a construção da basílica - que é uma causa tão insignificante?
83. Do mesmo modo: por que se mantém as exéquias e os aniversários dos falecidos e por que ele não restitui ou permite que se recebam de volta as doações efectuadas em favor deles, visto que já não é justo orar pelos redimidos?
84. Do mesmo modo: que nova piedade de Deus e do papa é essa: por causa do dinheiro, permitem ao ímpio e inimigo redimir uma alma piedosa e amiga de Deus, porém não a redimem por causa da necessidade da mesma alma piedosa e dilecta, por amor gratuito?
85. Do mesmo modo: por que os cânones penitenciais - de facto e por desuso já há muito revogados e mortos - ainda assim são redimidos com dinheiro, pela concessão de indulgências, como se ainda estivessem em pleno vigor?
86. Do mesmo modo: por que o papa, cuja fortuna hoje é maior do que a dos mais ricos Crassos, não constrói com seu próprio dinheiro ao menos esta basílica de São Pedro, ao invés de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis?
87. Do mesmo modo: o que é que o papa perdoa e concede àqueles que, pela contrição perfeita, têm direito à remissão e participação plenária?
88. Do mesmo modo: que benefício maior se poderia proporcionar à Igreja do que se o papa, assim como agora o faz uma vez, da mesma forma concedesse essas remissões e participações 100 vezes ao dia a qualquer dos fiéis?
89. Já que, com as indulgências, o papa procura mais a salvação das almas do o dinheiro, por que suspende as cartas e indulgências outrora já concedidas, se são igualmente eficazes?
90. Reprimir esses argumentos muito perspicazes dos leigos somente pela força, sem refutá-los apresentando razões, significa expor a Igreja e o papa à zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.
91. Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do papa, todas essas objecções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido.
92. Fora, pois, com todos esses profetas que dizem ao povo de Cristo: "Paz, paz!" sem que haja paz!
93. Que prosperem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo: "Cruz! Cruz!" sem que haja Cruz!
94. Devem-se exortar os cristãos a que se esforcem por seguir a Cristo, sua cabeça, através das penas, da morte e do inferno;
95. e, assim, a que confiem que entrarão no céu antes através de muitas tribulações do que pela segurança da paz.
Wittemberg, 31 de Outubro de 1517
Martinho Lutero (tradução de Sérgio Paulo Silva Furtado)

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É difícil encontrar justificação para mais um... mais um "Blogue", mais um candidato a "blogueiro"... a não ser que se entenda este início como o começo do caminho num maravilhoso mundo novo de partilha das verdades eternas da Fé.
Sem proselitismo, mas com o desejo de que este possa ser um espaço plural e aberto, em que as reflexões possam ser livres, tal como nós nos entendemos, em Cristo Jesus: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." João 8:32